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Por
que papel reciclado é mais caro?
Custa
mais caro "recriar" o papel do que fabricá-lo a partir de
matéria-prima virgem
Ninguém pergunta "por que produto orgânico é mais caro, já que
nem agrotóxico usa?" Todo mundo sabe que o esforço para manter o
vegetal sadio, sem pesticida, é ainda mais custoso.
No
caso do papel reciclado, o princípio é o mesmo. É mais caro
"recriar" o papel do que fabricá-lo a partir de matéria-prima
virgem.
Quando pensamos em papel reciclado, sempre é no papel bonito e
ecológico que o banco imprime, mas papel reciclado de verdade,
aquele que vem do lixo, vira papelão, papel higiênico, papel de
embrulho... esses sim com custo benefício ótimo... sem marketing
para endeusá-lo ou confundí-lo.
O
papel reciclado para impressão é um produto nobre, feito de
aparas selecionadas de gráficas e papel de escritório, misturado
com fibras e com a reutilização de sobras da própria indústria
que o produz.
O
Setor Reciclagem já tratou do assunto várias vezes, mas como as
dúvidas ainda são grandes, aí vão os
10 motivos porque o papel reciclado é mais caro:
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Já existe um processo de fabricação centenário de fabricação
de papel "virgem". A fabricação de papel reciclado para
impressão é relativamente nova, precisa de tempo para se
estruturar e ser competitiva.
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Na verdade, comparar papel virgem com papel reciclado (para
impressão) é covardia. O papel reciclado faz parte de uma
categoria diferente, denominada Papéis Especiais. Há alguns
anos, só haviam papéis reciclados importados, caríssimos,
sem acesso ao usuário comum. É ótimo que essa situação
esteja mudando, mas o papel reciclado que estamos nos
acostumando a ver ainda é um pouco mais caro.
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Há pouca concorrência no mercado de papel reciclado para
impressão. Com mais empresas fabricando, o preço deve cair.
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Se você separar os papéis do resto dos resíduos que gera,
estará ajudando a baratear o custo do papel reciclado, pois
a limpeza e triagem (separação) são dois dos ítens que
encarecem a reciclagem.
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Quando você compra papel, paga imposto. Quando ele é
transformado em papel reciclado, uma nova carga de impostos
é gerada, para o papel que já estava taxado...
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O
papel reciclado está basicamente restrito ao uso
corporativo. Enquanto for produto de um nicho de mercado,
mantém-se com valor mais alto.
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A
coleta seletiva no Brasil ainda é relativamente pequena, o
que gera um custo alto para coletar e selecionar os
materiais recicláveis.
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O
processo de reciclagem implica em: coletar, selecionar,
limpar, revalorizar, reproduzir, comercializar. Para tudo há
um custo. Pense que em vez do fabricante ou comerciante
estar querendo levar vantagem na "onda ambiental", talvez
precisem agregar valor para comercializar um produto mais
caro.
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Existem diversos tipos de papéis recicláveis, cada um tem
seu valor, seu grau de impureza. Qualquer fardo de papel com
materiais proibitivos em quantidade maior que a especificada
pode torná-lo não reciclável. Ou seja, o trabalho de
separação/classificação é grande mesmo só entre papéis. Todo
processo criterioso tem custo elevado.
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O
uso do papel é tão difundido que ninguém imagina viver sem
ele. Isso mantém um custo relativamente baixo para promover
o papel em campanhas de marketing. No caso do papel
reciclado, quem pode faz o que pode para divulgar o papel:
campanhas de publicidade que, além do tradicional, envolvem
ações sociais, permutas... Quem não pode, vende menos. Esses
fatores podem encarecer o produto final.
Para
o usuário comum: teste o papel reciclado, peça para a papelaria
comprar, experimente. Em alguns casos pode valer uma nota melhor
no trabalho de escola, uma vantagem no currículo, ou na
apresentação de um trabalho.
Para
as empresas: se o objetivo principal é a redução de custos,
procure papéis de embrulho com gramatura adequada e cor mais
clara. Esses papéis existem, são mais baratos e servem para
impressão comum. Aproveite para revisar os trabalhos no
computador e use os dois lados das folhas.
Mas... reveja seus pensamentos e métodos. Reduzir custos não é a
única coisa importante.
Para
os governos: se incentivar a fabricação de reciclados com
redução de impostos soa como uma ofensa, pelo menos incentivem a
coleta seletiva - o papel usado será melhor separado, existirá
em maior quantidade e, a reboque, vai melhorar a condição social
do povo mais necessitado.
Os
fabricantes não vão arcar com prejuízos para produzir um tipo de
papel papel, cabe a você decidir se vale a pena pagar mais caro
por um produto com benefícios ambientais. Voltando ao exemplo
dos vegetais orgânicos, você deveria usá-los para preservar sua
saúde. Não deveria fazer o mesmo para preservar a saúde do
planeta?
Papel
reciclado: mitos e verdades
Mito ou realidade? A utilização do papel reciclado pela
indústria gráfica começa a ganhar dimensão. Muito tem se falado
sobre sustentabilidade e preservação do meio ambiente. Mas, até
que ponto o uso do papel reciclado traz realmente benefícios
para o planeta?
Empresas de grande porte como instituições bancárias, de
telecomunicações, da indústria de cosméticos e até empresas de
planos de saúde, que utilizam muito papel para se comunicar com
seus clientes já adotaram o chamado papel reciclato em larga
escala.
Geralmente, o valor do reciclato, se comparado aos outros tipos
de papel utilizados na produção de material gráfico, como o
offset e o couchê, ainda é superior. Mesmo assim, esse tipo de
produto vem conquistando espaço, muito mais em virtude da
preservação do meio ambiente que ele pode proporcionar.
Mesmo
que a sua composição não seja 100% reciclado, não deixa de ser
ecologicamente correto utilizá-lo.
As
indústrias estão começando a dar uma maior atenção ao assunto,
devido à pressão que o consumidor está fazendo neste sentido.
Porém, quanto ao papel comum reciclado este ainda não caiu nas
graças do consumidor brasileiro, pois custa mais caro devido ao
seu processo de produção ser mais trabalhoso. Isso porque o
papel utilizado na indústria tem resíduos altamente poluentes
como compostos de pigmentos de chumbo.
Em
verdade, não é o tipo do papel que realmente deve ser analisado
se causa mais ou menos impactos ambientais, mas qual o tipo de
tinta empregada no papel, seja de offset, flexográficas, UV ou
de segurança. Em todos estes tipos de tinta encontramos
compostos diferentes de resina, solventes, corantes ou ceras.
Ainda há os custos ambientais de transporte e energia utilizada
pela empresas na utilização do papel.
O
mais interessante é que existe papel sintético há décadas, pouco
utilizado por causa do seu alto custo de produção (custa o dobro
do papel comum), mas possui menos poluentes e é menos agressivo
ao meio ambiente. Encontramos esse tipo de papel nas notas de 10
reais, em painéis de propaganda, banners, mas justamente devido
à falta de conhecimento da população sobre este produto, não é
atualmente tão receptivo.
Caso
houvesse investimentos de novas tecnologias aliadas a um
marketing verde expressivo sobre este tipo de papel, com certeza
o alto custo do processo de produção diminuiria
significativamente. Há pesquisas que utilizam este papel
produzido com derivados industriais como garrafas plásticas e
potes plásticos, ou seja, reduz a utilização de matéria prima
proveniente dos recursos naturais.
Cem
por cento reciclado
No Brasil, uma das maiores indústrias de papel e celulose, a
Suzano, produz o papel offset 100% reciclado a partir de aparas
pré e pós-consumo. Sua composição é constituída por 75% de
aparas pré-consumo (material reciclado dentro da fábrica) e 25%
pós-consumo (material oriundo da coleta urbana). Para a produção
desse tipo de papel, a Suzano conseguiu a certificação FSC
(Forest Stewardship Council), que é um dos principais selos
sociais para produtos cuja matéria-prima vem das florestas.
Quando se fabrica 1 tonelada de papel reciclado, em média
recupera-se 1.300 kg de papel velho das ruas que de outro modo
teriam ido para aterros sanitários ou deixados no meio ambiente.
Dos 1.300 kg, em média, 300 kg sobram como resíduo da
reciclagem, que ainda podem ser reaproveitados em outras
aplicações como, por exemplo, na indústria de cerâmica.
Porém, o custo de fabricação é maior para a fibra reciclada
envolvendo toda a cadeia desde a coleta até a produção final.
Isso se deve ao fato de que grandes indústrias de celulose
possuem plantações próprias de eucalipto. |